sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Casa das Lembranças Perdidas

Na Inglaterra de 1924, o jovem poeta Robbie Hunter morre à beira de um lago durante uma festa na mansão Riverton. As irmãs Hannah e Emmeline Hartford, herdeiras da propriedade e testemunhas da tragédia, nunca mais se falam. Após 75 anos, a diretora de um filme sobre os Hartfords procura Grace, antiga empregada da família, para consultá-la sobre a autenticidade da história que quer contar.  Essa cutucada no passado faz com que a senhora de 98 anos relembre seus dias naquele palacete cheio de segredos e sua influência no destino de duas irmãs.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Passatempo


Olá, todos sabem que sou muito ativa, tenho sempre que estar fazendo umas 1000 coisas ao mesmo tempo, por isso estava achando que estava sem um hobby, sabe aquela coisa que você faz por que você gosta, para passar o tempo, então, como só os livros, a iniciação científica, o trabalho, as tarefas do lar, etc e tal não são suficientes, decidi ocupar-me com o tricô. É uma atividade bem legal, você pode fazer na própria velocidade, e também tem sempre alguma coisa para presentear alguém.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O melhor dos 30

Hoje percebi, aconteceu, e eu me vi completamente mudada, deu um orgulho danado de mim mesma. Quando parei para refletir sobre o que tinha acontecido fiquei espantada, gente eu finalmente amadureci. As coisas que antes me deixavam em pânico, só o pensamento, hoje já não tem a mínima importância. O melhor dos 30 é isso, a maturidade, que vêm junto com a experiência, que vêm junto com a segurança e a certeza. A certeza que nada é seguro, é essa minha maior segurança: tudo muda, nada é certo, o mundo está em constante movimento, então  que importância tem os detalhes??? Que importância tem o atual emprego, os problemas atuais? Nenhuma! Pois "tudo passa, tudo passará".

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Eu gosto de mim

Eu Gosto de Mim

Kirk Franklin

Cheque seus auto falantes
Esta não é uma musica de auto-ajuda
ou outra musica romântica
Mas como Ele me restaurou

Eu gosto de mim,
Aí, você gosta de mim?
Porque eu gosto de mim
Será que você gosta de mim?
Sabe, eu gosto de mim
porque Ele gosta de mim
Deus me ama
mesmo que você não goste de mim.

Baixinho, narigão, beiçola
Meio ga-ga-gago Mas- eu, mas eu nunca vacilo
Sou exibido como meu pai e ando com um gingado
Tenho uma mulher maravilhosa, não preciso ser um mulherengo
Nunca fui comportadinho, nunca fui o gostosão Desde que fui transformado tenho um brilho nos meus olhos
Consertei meus dentes agora eu sorrio quando falo

Sabe quem é o responsável por isso?
Aí, é aquele Jesus doidão!

Eu gosto de mim,
Aí, você gosta de mim?
Porque eu gosto de mim,
Será que você gosta de mim?
Sabe, eu gosto de mim
porque Ele gosta de mim
Deus me ama
mesmo que você não goste de mim.

Eu simplesmente sorrio, Estou tão satisfeito
olha que nem tenho pedras amarelas em meus pulsos
Eu ouço o mundo dizer que eu tenho que ser rico
Mas eu não compro isto, E eu não sigo a moda
 vou a milha toda (tipo ?vou fundo?"levo a sério?), perdendo ou ganhando
Eu espero que essa seja a impressão que este CD te dê
Estou mais preocupado em como eles veem meu viver
Eles estão tentando colocar a casa deles no MTV Cribs

Eu gosto de mim,
Aí, você gosta de mim?
Porque eu gosto de mim,
Será que você gosta de mim?
Sabe, eu gosto de mim,
porque Ele gosta de mim
Deus me ama,
mesmo que você não goste de mim.

Quando as luzes se apagam, eu sei que Te vejo
Mais que minha presunção, mas é Você e eu
Das igrejinhas pequenas às mega-igrejas lotadas
Eles querem meu autógrafo, mas eu preferiria dar o Teu
A tinta da Tua caneta não desbota, e a galera quer mais
O Rei está no palco, o bis final
Não posso acreditar que sou eu relaxando aqui nos bastidores
Narigão, beiçola, levantem as mãos!

Eu gosto de mim,
Aí, você gosta de mim?
Porque eu gosto de mim,
Será que você gosta de mim?
Sabe, eu gosto de mim,
porque Ele gosta de mim
Deus me ama

Ele gosta de você!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Cantigas de Roda em confronto com a Constituição Federal




Gerivaldo Alves Neiva, Juiz de Direito
gerivaldoneiva.blogspot.com

A proposta do exercício é comparar os princípios e as garantias constitucionais com os textos das “Cantigas de Roda”. Não se trata, evidentemente, de condenar as “Cantigas de Roda” ou, muito menos, de declarar a “inconstitucionalidade”, mas simplesmente oferecer uma dinâmica para compreensão dos princípios e garantias previstos na Constituição.
Também não é intenção discutir como o texto dessas “cantigas”repercute no aprendizado e na formação das crianças. Com efeito, penso que esta não é tarefa para os juristas. Algumas situações expostas pelas“cantigas” talvez possam ser explicadas pela psicologia analítica, principalmente pela teoria dos “arquétipos”, desenvolvida por Jung. Mas, como disse antes, esta não é tarefa para juristas.
Voltando ao assunto, depois das leituras propostas, pode-se se chegar à conclusão que as “cantigas”, com exceção de “Terezinha de Jesus”, estão completamente desvinculadas do projeto constitucional de construção de uma sociedade justa livre e solidária, fundada na cidadania e dignidade da pessoa humana. (arts. 1º e 3º, CF). Além disso, em outros casos, é clara a desvinculação das “cantigas” com legislações mais específicas, a exemplo da proteção à criança, mulheres e meio ambiente.
Vamos lá.
I – Atirei o pau no gato-to-to mas o gato-to-to não morreu-reu-reu. Dona Chica-ca-ca admirou-se-se do berro, do berro que o que o gato deu: miauuuuuu.
A tentativa, ao que parece, era mesmo de matar o gato com uma paulada, mas o gato não morreu para admiração da Dona Chica, que é omissa e apenas assiste à cena macabra. Assim, além de banalizar a vida do gato e demonstrar um comportamento cruel, o texto da “cantiga” não está de acordo como o artigo 225 e seus incisos da CF, que defende o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

II - Eu sou pobre, pobre, pobre, de marré, marré, marré. Eu sou pobre, pobre, pobre, de marré de si. Eu sou rica, rica, rica, de marré, marré, marré. Eu sou rica, rica, rica, de marré de si.
Evidente que uma nação é composta de ricos e pobres, mas a“cantiga” demonstra a soberba e disriminação de uma “menina rica” e, de outro lado, a aceitação de sua condição de pobre por outra menina, como se fosse isso um fato natural. No entanto, consta dos objetivos da República: (i) erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais e (ii) promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. (Art. 3º, III e IV, CF).

III - Vem cá, Bitu! vem cá, Bitu! Vem cá, meu bem, vem cá! Não vou lá! Não vou lá, Não vou lá! Tenho medo de apanhar.
Bom, se “Bitu” é um cãozinho, por exemplo, mais uma vez é o caso de maus tratos a um animal. De outro lado, ao recusar o convite, a impressão que se tem é que “Bitu” não vai porque já sabe que vai apanhar. Tortura continuada? Aqui resta demonstrada também a banalização de sua integridade física por parte de quem lhe chama. Se“Bitu” é um ser um humano – uma criança ou uma mulher, por exemplo – a “cantiga”, além de violar as garantias individuais, a integridade física e moral, também violaria o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei Maria da Penha.

IV - Marcha soldado, cabeça de papel! Quem não marchar direito, vai preso pro quartel.
Primeiro, a voz do comando humilha o soldado ao chamá-lo de“cabeça de papel”. (Bullying?) Em seguida, viola os princípios da legalidade e do devido processo legal ao determinar a prisão do soldado pelo simples fato de “não marchar direito”, ou seja, se não é crime“marchar errado” não pode também ser preso autoritariamente quem assim age. Além disso, mesmo que fosse crime, a Constituição garante a todos os acusados o direito à ampla defesa, contraditório e devido processo legal. (Art. 5º, LV, CF).

V - A canoa virou, por deixar ela virar, foi por causa da fulana que não soube remar.
Novamente, a voz do comando acusa a “fulana” de não saber remar e causar o naufrágio da canoa. Assim, a “cantiga” responsabiliza sem direito à defesa e ao devido processo legal.

VI - Samba-lelê tá doente, tá com a cabeça quebrada. Samba-lelê precisava é de umas boas palmadas.
Primeiro, Samba-lelê já está com a “cabeça quebrada” e isto demonstra que também já foi vítima de uma violência. Além disso, a“cantiga” defende que Samba-lelê precisa ainda de umas boas palmadas. Mas o que fez de tão grave Samba-lelê? Isto não seria tortura? Ora, neste caso está evidenciado que Samba-lelê, aqui entendido como sendo uma criança, foi vítima de maus tratos e continua sofrendo ameaças. Assim, além de ferir a Constituição, a “cantiga” viola também o Estatuto da Criança e do Adolescente.

VII - Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega esta criança que tem medo de careta
Este boi pega crianças simplesmente por ser um boi ou porque é um “boi da cara preta”? A criança tem medo de boi ou de “careta”?Então, a cara do boi da cara preta é uma “careta”? Se for isso, a“cantiga” demonstra um sentido de discriminação pela cor da “cara” do boi e, pior ainda, ameaça uma pobre criança e transforma um animal em algo assustador. A “cantiga” induz à discriminação e viola também princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente.

VIII - O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada; o cravo saiu ferido e a rosa despedaçada. O cravo ficou doente, a rosa foi visitar; o cravo teve um desmaio, a rosa pôs-se a chorar.
Esta “cantiga” é de uma enorme complexidade e merece estudo mais aprofundado sobre as relações humanas. (Aqui só Freud ou Jung!). De outro lado, tomando-se o caso como sendo uma “briga de marido e mulher”, o que se percebe é que o casal chegou às vias de fato e um“saiu ferido” e o outro “despedaçado”. Coisa horrível para um casal. Além disso, o reencontro também é muito complexo, pois o Cravo (ferido e doente) sofre um desmaio ao visitar a Rosa (despedaçada), que pôs se a chorar. Não seria melhor que tivessem se reconciliado após uma boa mediação?

IX - Terezinha de Jesus de uma queda foi ao chão. Acudiram três cavaleiros todos três, chapéu na mão. O primeiro foi seu pai, o segundo seu irmão, o terceiro foi aquele que a Tereza deu a mão. Terezinha de Jesus levantou-se lá do chão e sorrindo disse ao noivo: eu te dou meu coração! Da laranja quero um gomo, do limão quero um pedaço, da morena mais bonita quero um beijo e um abraço
Chegamos ao fim com este belo exemplo de igualdade, solidariedade, fraternidade e amor. Os três cavaleiros são iguais pela condição de cavaleiros e os três “chapéu na mão”. Todos acodem uma pessoa caída e dois deles fazem parte de sua família (o pai e o irmão). Ao final, Terezinha se enamora com o terceiro cavaleiro e lhe dá o coração, ou seja, tudo termina em beijos e abraços.
Quem souber, que conte outra...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Nepotismo


Quando será que as empresas começarão a contratar pela competência e não pela decendência??

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Eu Sorrio (I smile)


Kirk Franklin


Hoje é um novo dia, mas não há sol,
Nada além de nuvens e é escuro no meu coração
E parece uma noite fria.
Hoje é um novo dia, mas onde está o meu céu azul?
Onde está o amor e a alegria que você me prometeu?
Diga-me que está tudo bem!
(Eu vou ser honesto com você!)
Eu quase desisti, mas um poder que eu não posso explicar!
Caiu do céu, como uma chuva agora.
(Quando eu acho que estou muito melhor, eu estarei quando tudo isso terminar.)

Refrão:
Eu sorrio, mesmo que esteja ferido eu sorrio,
Eu sei que Deus está trabalhando então eu sorrio,
Mesmo que esteja aqui só por um tempo
Eu sorrio, sorria!
É tão difícil olhar para cima quando você esta para baixo,
Claro que odiaria ver você desistir agora,
Você parece muito melhor quando você sorri! Então sorria!
(Agora todos os dias não vão ser perfeitos,
Mas isso não significa que o hoje não terá um propósito!
Vamos lá!)

Hoje é um novo dia, mas não há sol,
Nada além de nuvens e é escuro no meu coração
E parece uma noite fria.
(Não é fácil, mas)
Hoje é um novo dia, mas onde está o meu céu azul?
(Onde esta aquele amor?)
Onde está o amor e a alegria que você me prometeu?
Diga-me que está tudo bem!
(A verdade é)
Eu quase desisti, mas um poder que eu não posso explicar!
(Aquele poder do Espírito Santo)
Caiu do céu, como uma chuva agora.
(Agora eu sei que fui ferido yall mas ainda!)

Refrão:
Eu sorrio, mesmo que esteja ferido eu sorrio,
Eu sei que Deus está trabalhando então eu sorrio,
Mesmo que esteja aqui só por um tempo
Eu sorrio, sorria!
É tão difícil olhar para cima quando você esta para baixo,
Claro que odiaria ver você desistir agora,
Você parece muito melhor quando você sorri!

Sorria para mim!
Você pode apenas sorria para mim! (Não importa como se sinta por dentro)
Sorria para mim! (Sorria)
Você pode apenas sorrir para mim!

(Ha e as pessoas dizem)
Oh, oh, oh!
Você parece muito melhor quando você oh, oh, oh!
Você parece muito melhor quando você oh, oh, oh!
Você parece muito melhor quando você oh, oh, oh!
Você parece muito melhor quando você oh, oh, oh!
Você parece muito melhor quando você oh, oh, oh! (E enquanto você espera)
Você parece muito melhor quando você oh, oh, oh! (E enquanto você está orando)
Você parece muito melhor quando você oh, oh, oh! (Lembre-se sempre
Você parece muito melhor quando você sorri!

Eu quase desisti, mas um poder que eu não posso explicar!
Caiu do céu, como uma chuva agora.
(Agora)
Eu sorrio, mesmo que eu esteja ferido veja, eu sorrio,
Não importa!
Eu sei que Deus está trabalhando trabalhando então eu sorrio,
Todas as coisas estão funcionando!
Mesmo que eu esteja necessitado por um tempo
Ainda assim!
Eu sorrio, sorria!
Aleluia!
É tão difícil olhar para cima quando você esta para baixo,
Agora eu sei algo!
Claro que eu odeio ver você desistir agora,
Porque você é um vencedor!
Você parece muito melhor quando você sorri!
Você fica melhor!
Então sorria!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Ah! Se eu pudesse voltar ao presente...


Muitas vezes pensamos que poderíamos ter tomado decisões diferentes, que mudariam o rumo de nossa vida. Pensamos que o hoje não é tão bom assim, que poderíamos estar melhor. Mas peraí, vamos pensar diferente? Afinal se continuamos fazendo sempre as mesmas coisas, é impossível ter resultados diferentes. Imagine o seguinte: criamos uma máquina de viagem no tempo que nos leva, não para o passado, e sim para o futuro, você encontra seu eu do futuro, e ele te pede para mudar algumas atitudes do presente, que você já sabia que tem que mudar, mas não muda, por hábito, preguiça e até medo. O seu eu do futuro diz, que se fizer isso vai mudar sua vida. Então, o que você poderá fazer para mudar seu futuro? Fazer atividade física, se livrar do stress, dar mais atenção à sua família, fazer uma faculdade ou pós graduação, fazer um curso no exterior, viajar, trocar de emprego, viver a vida?
O que seu futuro te pede? O que te impede de obedecer?

Gerenciando expectativas

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Já deve ter acontecido com você.


- Não está se lembrando de mim?

Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele está ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando a sua resposta. Lembra ou não lembra?

Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir.

Um, o curto, grosso e sincero.

- Não.

Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O “Não” seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos não entre pessoas educadas. Você devia ter vergonha. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem.

Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.

- Não me diga. Você é o... o...

“Não me diga”, no caso, quer dizer “Me diga, me diga”. Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com a sua agonia. Ou você pode dizer algo como:

- Desculpe deve ser a velhice, mas...

Este também é um apelo à piedade. Significa “Não torture um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!” É uma maneira simpática de dizer que você não tem a menor idéia de quem ele é, mas que isso não se deve à insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.

E há o terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.

- Claro que estou me lembrando de você!

Você não quer magoá-lo, é isso. Há provas estatísticas que o desejo de não magoar os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo, depois de dizer a frase não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:

- Há quanto tempo!

Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.

- Então me diga quem eu sou.

Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, falsamente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e dizer apenas:

- Pois é.

Ou:

- Bota tempo nisso.

Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem é esse cara, meu Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas do meio da poeira e das teias de aranha do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como “jabs” verbais.

- Como cê tem passado?

- Bem, bem.

- Parece mentira.

- Puxa.

(Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? Quem é esse cara, meu Deus?)

Ele está falando:

- Pensei que você não fosse me reconhecer...

- O que é isso?!

- Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.

- E eu ia esquecer você? Logo você?

- As pessoas mudam. Sei lá.

- Que idéia!

(É o Ademar! Não, o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O... o... como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica. Rezende! Mas como saber se ele tem uma perna mecânica? Você pode chutá-lo, amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta as duas. “Que bom encontrar você!” e paf, chuta uma perna. “Que saudade!” e paf, chuta a outra. Quem é esse cara?)

- É incrível como a gente perde contato.

- É mesmo.

Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.

- Cê tem visto alguém da velha turma?

- Só o Pontes.

- Velho Pontes!

(Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, Pontes...)

- Lembra do Croarê?

- Claro!

- Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.

- Velho Croarê!

(Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide esquecer toda a cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)

- Rezende...

- Quem?

Não é ele. Pelo menos isso está esclarecido.

- Não tinha um Rezende na turma?

- Não me lembro.

- Devo estar confundindo.

Silêncio. Você sente que está prestes a ser desmascarado.

- Sabe que a Ritinha casou?

- Não!

- Casou.

- Com quem?

- Acho que você não conheceu. O Bituca.

Você abandonou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame é inevitável, que ele seja total, arrasador. Você está tomado por uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que não conhece o Bituca?

- Claro que conheci! Velho Bituca...

- Pois casaram...

É a sua chance. É a saída. Você passa ao ataque.

- E não me avisaram nada?!

- Bem...

- Não. Espera um pouquinho. Todas essas coisas acontecendo, a Ritinha casando com o Bituca, o Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?!

- É que a gente perdeu contato e...

- Mas o meu nome está na lista, meu querido. Era só dar um telefonema. Mandar um convite.

- É...

- E você ainda achava que eu não ia reconhecer você. Vocês é que esqueceram de mim!

- Desculpe, Edgar. É que...

- Não desculpo não. Você tem razão. As pessoas mudam...

(Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima idéia de quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele está na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de “Já?!”)

- Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?

- Certo, Edgar. E desculpe, hein?

- O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.

- Isso.

- Reunir a velha turma.

- Certo.

- E olha, quando falar com a Ritinha e o Mutuca...

- Bituca.

- E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?

- Tchau, Edgar!

Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer “Grande Edgar”. Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém lhe perguntar “Você está me reconhecendo?” não dirá nem não. Sairá correndo.


Este texto está no livro  Comédias da vida privada - Luis Fernando Veríssimo

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sucker Punch


A personagem-chave é Baby Doll (Emily Browning), uma jovem vítima de uma tragédia causada por seu ganancioso padrasto (Gerard Plunckett). Como resultado, ela é enclausurada num sanatório onde dentro de cinco dias será lobotomizada. Disposta a escapar dali antes, Baby Doll formula um ousado plano de fuga junto com as amigas Rocket (Jena Malone), Blondie (Vanessa Hudgens), Sweet Pea (Abbie Cornish) e Amber (Jamie Chung). Através de sua dança e sua imaginação, ela percorre os caminhos rumo à sua libertação, realizando missões fantásticas sob a tutela de um misterioso Homem Sábio (Scott Glenn). Durante o filme várias frases interessantes são citadas:

"Se você não lutar por algo, cairá por qualquer coisa"

"Se você não morreria por uma causa, então você não tem nenhuma causa para viver!"

"Podemos negar que nossos anjos existam.
Dizer a nós mesmos que eles não podem ser reais.
Mas eles aparecem de qualquer maneira...
Em lugares estranhos...
Em tempos estranhos...
Eles podem ser qualquer personagem que possamos imaginar.
Serão verdadeiros demônios se precisarem.
Nos chamando...
Nos desafiando a lutar..."

"Quem honra aqueles que amamos pela vida que vivemos?
Quem envia monstros para nos matar? e, ao mesmo tempo, canções que nunca vão morrer.
Quem nos ensina o que é real e como rir das mentiras?
Quem decide quem vai morrer ou viver defendendo?
Quem nos acorrenta?
E quem tem a chave para a nossa liberdade?
-É você.
Você tem todas as armas que precisa.
-Agora lute!"